Cinzas Museu Nacional


CINZAS

O fogo que consumiu o Museu Nacional invadiu a casa de todos os brasileiros ontem, domingo – quando um museu é destruído a dor precisa ser coletiva, pois o conceito de "museu" não é mais aquele do tempo de nossos avós quando muitos definiam este espaço de cultura e conhecimento como "Um lugar onde se guarda coisas antigas", e ao ouvir isso a imaginação infantil – ou daquele que desconhece – produzia imediatamente teias de aranha, esqueletos e muita poeira em um porão cheio de caixas misteriosas.

Museus são entidades vivas e pulsantes - é um viajar no tempo, é se encantar e conhecer emoções nunca sentidas.

Mas vamos falar de um museu em particular, um que faz parte da história do Brasil sim... mas também da vivência e memória afetiva de toda criança carioca : o Museu Nacional. cuja administração é responsabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e fica localizado no complexo do parque municipal da Quinta da Boa Vista - no bairro de São Cristóvão, zona norte da cidade.

O fogo invade a tevê, a sala, a memória e a minha infância como se os passeios, os piqueniques, as brincadeiras e as risadas... as lembranças tão maravilhosas sendo consumidas pelo descaso pela arte, pela História, pelo lazer cultural e pelo conhecimento.

Tristeza e impotência, saudade e dor...  tudo se mistura neste momento em que assisto virar cinzas a história deste país, a ciência, a pesquisa e o futuro de crianças que, infelizmente, não se espantarão com os esqueletos dos dinossauros e nem com as múmias; não viajarão pelo tempo através dos objetos de príncipes e princesas; não terão a oportunidade de tocar o meteorito e deixar sua imaginação viajar pelos céus...
Neste momento me calo. Não sei o que pensar e nem o que dizer.
LUTO, que é dor - mas também é verbo.

Texto escrito por Rosa Sofia especialmente para o blog www.maurobelo.com.br

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